Em forma para o trabalho e para a vida — um programa de oito semanas para melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida
Um estudo em duas etapas
Contexto: O presente estudo em duas etapas focou na integração laboral e na qualidade de vida de pacientes em uma unidade de internação psiquiátrica diurna para pacientes agudos. Há evidências de que um afastamento prolongado do trabalho devido a doença afeta negativamente a manutenção do emprego, a satisfação com a vida e o prognóstico clínico. Além disso, existem métodos de apoio individual que se mostraram eficazes na integração laboral. Portanto, desenvolvemos um programa de grupo específico, "Apto para o Trabalho e para a Vida" (ATV), para pacientes em uma unidade de internação psiquiátrica diurna para pacientes agudos, com foco na integração laboral no primeiro mercado de trabalho (em contraste com o trabalho em instituições para pessoas com deficiência/segundo mercado de trabalho).
Métodos: Entre 2018 e 2020, 62 pacientes (grupo de intervenção; GI) foram inscritos em um programa prospectivo de reintegração profissional com duração de 8 semanas e comparados a 74 pacientes (grupo controle; GC) que receberam o tratamento padrão (pesquisa parcialmente retrospectiva). Os pacientes de ambos os grupos estavam empregados ao iniciarem o tratamento. O principal desfecho foi definido como a situação profissional dos pacientes 4 semanas após o término do tratamento, bem como a satisfação com a vida relatada pelos próprios participantes.
Resultados: Ao final do tratamento (ou seja, na semana anterior à alta), os participantes do grupo de intervenção relataram maior satisfação geral com a vida, bem como maior satisfação relacionada à saúde, ao autoconhecimento e às condições de vida, em comparação com o grupo controle. A melhora funcional e clínica durante o tratamento esteve associada ao retorno subsequente ao trabalho. A melhora funcional, por sua vez, esteve associada a uma maior satisfação com a vida. A análise de mediação revelou uma via indireta da melhora funcional sobre a satisfação com a vida por meio da situação profissional, ou seja, quanto maior a melhora funcional durante o tratamento, maior a probabilidade de retorno bem-sucedido ao trabalho, o que, por sua vez, aumentou a satisfação com a vida.
Conclusão: Nossos resultados sugerem que programas como o FWL são intervenções úteis para pacientes empregados, visando melhorar a reintegração ao trabalho e à vida, além de contribuir para o aumento da satisfação com a vida.