Intervenções familiares com jovens transgêneros e com identidades de gênero diversas
Revisão sistemática e recomendações de melhores práticas
Pesquisas sobre jovens transgêneros e com identidades de gênero diversas (TGE) têm destacado os impactos desproporcionais e desafiadores na saúde mental e no desenvolvimento enfrentados por esses jovens. As pesquisas também sugerem, em grande parte, que a aceitação familiar da identidade e expressão de gênero de jovens TGE é crucial para prevenir desfechos psicossociais negativos nessa comunidade. Recentemente, o tratamento baseado na família tornou-se prática comum com jovens TGE cujas famílias estão disponíveis para oferecer cuidados, mas não está claro se as pesquisas fornecem dados sobre os resultados de intervenções familiares com jovens TGE. Este estudo segue as diretrizes PRISMA (Preferred Systematic Reviews and Meta-Analyses) para revisar sistematicamente artigos que fornecem dados sobre resultados ou recomendações clínicas para intervenções baseadas na família com jovens TGE e suas famílias. Não foram encontrados dados quantitativos sobre resultados de terapia familiar com jovens TGE, mas diversos artigos abrangendo décadas (n=32) forneceram recomendações de prática clínica para intervenções baseadas na família com essa população.
Poucos artigos forneceram dados sobre os resultados da terapia familiar com jovens de minorias sexuais (n=2). Ao longo do tempo, as estratégias clínicas evoluíram da patologização para a afirmação da jornada de gênero de jovens transgêneros e de gênero diverso (TGE). As estratégias clínicas comuns de intervenções afirmativas incluem: (1) fornecer psicoeducação; (2) permitir que as famílias expressem suas reações ao gênero de seus filhos; (3) enfatizar o poder protetor da aceitação familiar; (4) utilizar múltiplas modalidades de apoio; (5) oferecer às famílias oportunidades de apoio e defesa de direitos; (6) conectar as famílias a recursos da comunidade TGE; e (7) priorizar abordagens e preocupações interseccionais. Pesquisas futuras devem examinar a eficácia de intervenções familiares que incorporem essas estratégias clínicas e coletar dados quantitativos para determinar sistematicamente seu efeito nos resultados psicossociais.