Comunicação compassiva
uma revisão de escopo
Evidências empíricas da literatura sobre compaixão relatam a dificuldade inerente ao ensino de qualidades relacionadas à compaixão e indicam a recente mudança de foco para intervenções que visam aprimorar as habilidades de comunicação associadas ao cuidado compassivo. Diante da ausência de uma compreensão empírica e teórica robusta da comunicação compassiva, esta revisão de escopo identifica e integra as definições e abordagens teóricas da comunicação compassiva com base na literatura existente. Um total de 5.813 registros, identificados por meio de uma busca inicial em quatro bases de dados (Scopus, Web of Science, PubMed e APA PsycNet), combinados com os 49 obtidos por meio de busca manual, foram submetidos à triagem com base nas diretrizes PRISMA-ScR. Um total de 57 artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade foram selecionados para síntese narrativa (que incluiu análise temática e de conteúdo). A revisão serve como uma crítica construtiva das contradições e problemas com as evidências empíricas sobre a compaixão verbal e não verbal e retrata o conceito como existindo além de seu impacto no alívio do sofrimento, descrevendo a comunicação compassiva à luz de (1) aspectos cognitivos, (2) aspectos afetivos, (3) aspectos comportamentais/de estado, (4) aspectos relacionais, (5) autocompaixão, (6) mutualidade, (7) traços ou valores virtuosos específicos do indivíduo.
Destaca-se a necessidade de uma definição integrativa de comunicação compassiva e de um arcabouço teórico que vincule os componentes da comunicação compassiva aos seus antecedentes e resultados. A revisão constitui uma fonte válida e confiável de orientação para futuras pesquisas sobre teoria, educação e intervenções em comunicação compassiva. Os resultados da revisão podem ser interpretados à luz tanto da teoria da comunicação contemporânea quanto da tradicional, tendo implicações práticas para diferentes domínios da sociedade (por exemplo, família, relações de trabalho, negócios e saúde).